Processos eficientes de treinamento de profissionais são essenciais para que a tecnologia não seja a vilã do setor jurídico.
Em um momento no qual os temas de inteligência artificial e tecnologia estão em alta, há muitas discussões acontecendo sobre o uso dos dados e ferramentas tecnológicas na rotina dos juristas e advogados na tomada de decisões estratégicas.
A tecnologia e os dados trazem benefícios imensuráveis a longo prazo, mas exigem uma grande visão estratégica na sua utilização, além da necessidade da mudança da mentalidade de todo o setor jurídico.
O fato de que todos os setores estão sendo impactados pela tecnologia não é novidade, dentre eles, o setor jurídico.
Entretanto, os departamentos jurídicos de empresas, escritórios e até órgãos públicos sempre foram considerados resistentes quando o assunto era implementação da tecnologia, principalmente em razão de dados sensíveis de clientes e terceiros.
Antigamente era difícil imaginar um escritório ou o departamento jurídico de uma empresa com “hub” específico de tecnologia, algo bem diferente do cenário atual. Hoje, diversas iniciativas e parcerias buscam automatizar rotinas repetitivas ou implementação de ferramentas visando reduzir custos e aumentar produtividade.
Mas como é possível tomar decisões estratégicas baseadas em dados?
A resposta não é simples e universal, existem diversas variáveis e opiniões distintas a considerarmos quando se questionam riscos e impactos de utilização de dados e tecnologia ao tomar decisões estratégicas, como por exemplo, a necessidade ou não de um profissional que interprete tais dados, com objetivo de mitigar riscos futuros.
Em consonância com tal questionamento, a área denominada de Legal Operations, que unifica a necessidade de eficiência de atuação técnica jurídica com soluções operacionais, demonstrou um eminente crescimento nos últimos anos e ratifica a necessidade de transformação através de uma cultura a favor da inovação.[4]
O crescimento se justifica pelo fato de que a área possui total conexão com tecnologia e mapeamento de principais dores das companhias, já que possui pilares para realizar a controladoria jurídica, atividades de inteligência jurídica e a melhoria de projetos.
A edição de 2025 do Legal Department Operations (LDO) Index (link do artigo), realizada pela Thomson Reuters desde 2017, mostrou um aumento rápido no número de organizações que contam com uma equipe totalmente dedicada às operações legais. Em síntese, a pesquisa demonstra que mais de 80% dos departamentos jurídicos que participaram da pesquisa responderam que têm um time de Legal Operations exclusivo. Em 2017, eram 56%.
Além da disponibilização dos dados descritivos para consulta, é essencial que os advogados e gestores tenham o devido preparo para interpretar e se basear em tais informações, sob pena de inutilidade do uso de grande volumetria de dados, ou ainda, da criação de ferramentas tecnológicas extremamente desenvolvidas ao setor jurídico mas que não obtém êxito na rotina, justamente pela falta de interpretação.
Tal interpretação poderá vir através do auxílio de uma área específica como citamos acima, ou de profissionais já treinados e que possuem experiência suficiente para analisar os dados trazidos através de diferentes tecnologias e utilizá-los como ferramenta na tomada de decisões.
Não é a primeira vez que o setor jurídico substitui métodos antigos com novas metodologias, já passamos pela transição dos processos físicos, do uso dos certificados digitais, intimações eletrônicas, audiências virtuais e reuniões online. A transição é necessária e possui um impacto positivo a longo prazo.
Redução de tempo, custo e riscos
Por isso, os departamentos jurídicos e escritórios que incorporam a tecnologia, inclusive na tomada de decisões estratégicas, tendem a obter custos reduzidos e mitigação de riscos a longo prazo, já que a volumetria dos dados disponíveis e utilizados demonstram economia de tempo aos gestores, advogados e juristas, que podem direcionar parte do tempo gasto em atividades manuais e repetitivas para desenvolvimento de análises estratégicas.
Independentemente do tipo de tecnologia utilizada (inteligência artificial, softwares, ferramentas, “bots”, dentre outras), o mais importante é que mentalidade dos departamentos jurídicos e escritórios seja focada na necessidade de inovação e principalmente na disponibilidade de tempo para implementação, testes, interpretação dos dados e adaptação ao modelo de negócio.
Em resumo, o treinamento dos times e a implementação correta são fatores essenciais para que a tecnologia e os respectivos dados fornecidos através dela não sejam “vilões” do setor jurídico, mas sim aliados na rotina de gestores e advogados.